O Museu de Lisboa, instalado no Palácio Pimenta, tem em exposição dois quadros com o mesmo título: Junot passando revista às tropas no Rossio. Um é um óleo sobre tela de autor anónimo, patente na mostra 3 Vistas de Lisboa. O outro é um desenho a tinta-da-china de Luís António Xavier, conhecido pelas iniciais LAX, que integra a exposição permanente do museu.
A coincidência de título levantou dúvidas sobre qual das duas obras retrata efectivamente o general Junot. Numa sessão de apresentação da mostra, o marchand de arte Philippe Mendes notou que a disposição das tropas no quadro anónimo não correspondia à de um desfile militar francês. Os historiadores de arte Pedro Flor e Paulo Almeida Fernandes, presentes na mesma sessão, confirmaram essa leitura: a tela anónima não representaria, afinal, Junot.
O desenho de LAX, exposto na Sala 26, dedicada à Cidade do Tempo de D. Maria I e à Guerra Peninsular, mostra ao alto do Castelo de São Jorge uma bandeira francesa, o que confirma a presença de Junot nessa obra. O mesmo desenho já tinha sido mostrado em 1947, no Museu Nacional de Arte Antiga, numa exposição que assinalava três momentos da história de Lisboa: a conquista da cidade aos mouros, a invasão francesa e a fuga da corte portuguesa para o Brasil.
No mesmo espaço do Museu de Lisboa está patente, até setembro, a exposição Por Amor à Cidade, uma homenagem aos fundadores do grupo Amigos de Lisboa, entre eles os olisipógrafos Luís Pastor de Macedo e Gustavo de Matos Sequeira e o engenheiro Augusto Vieira da Silva.
