Subin tem 27 anos, nasceu numa cidade costeira da Índia e saiu de casa aos 19 para estudar Empreendedorismo e Gestão na Letónia. Os estudos levaram-no depois a Espanha e à Polónia, e foi um amigo já instalado em Portugal que lhe falou do clima, das oportunidades e da vida perto do mar. Decidiu vir. Hoje trabalha na mediação imobiliária e faz turnos numa gelataria em Belém, onde os clientes já lhe pedem fotografias.
O percurso não foi linear. Depois de concluir um programa de formação, conta ter recebido uma proposta para trabalhar como gestor de contas num banco, que acabou por não avançar por causa da documentação de residência — o processo de autorização demorou cerca de três anos. Voltou a trabalhar em restauração. «Se não tiver nada, trabalho como copeiro ou faço qualquer outro trabalho», afirma. «Tenho um enorme respeito por todo o tipo de trabalho.»
Nunca frequentou aulas formais de português. Aprendeu com as pessoas, no trabalho, em conversas online e sobretudo através da música: afeiçoou-se ao fado e às canções de Mariza muito antes de perceber as letras. Procurava as palavras que não conhecia e tentava reproduzir a forma como os portugueses falavam. Trabalhou pouco tempo num restaurante indiano porque queria estar mais perto da língua e da cultura locais.
Com a família a milhares de quilómetros, foi construindo outra em Portugal — fala de amigos e colegas como irmãos e mães de cá. É essa vida do dia a dia que partilha nos vídeos que faz sobre viver em Portugal, sempre com o mesmo cumprimento: «Olá, maltinha!». Notícia adaptada a partir de reportagem publicada via Mensagem de Lisboa.
