Todos os dias, às 10h30, Joaquim Marçal chega à cabine telefónica vermelha instalada nas imediações do Jardim Avelar Brotero, no Alto de Santo Amaro, em Alcântara. Inspecciona os livros deixados na véspera, reorganiza as prateleiras e, ao fim da tarde, volta para fechar a porta. A biblioteca improvisada funciona desde 2019 e tem uma regra simples, assente na confiança: quem quiser deixa um livro ou leva outro.
O projecto comunitário é gerido pelo jornal O Comércio de Alcântara, onde Joaquim é repórter e fotógrafo há cerca de oito anos, em colaboração com a Junta de Freguesia de Alcântara e com a Escola Preparatória Francisco de Arruda. O inventário, esse, é da autoria do próprio, que organizou as prateleiras por temas: literatura infanto-juvenil em baixo, depois colecções, ficção e não ficção, e livros mais técnicos no topo.
Aos 64 anos, Joaquim assumiu a responsabilidade pouco antes da pandemia, quando percebeu que a cabine estava fechada havia muito tempo. A presença diária faz com que muitos visitantes o confundam com um bibliotecário e lhe peçam sugestões de leitura. Dentro de cada exemplar cola um pequeno autocolante, que lhe permite contar quantos livros já passaram por ali: "Estamos perto de chegar aos 14 mil livros movimentados, os livros que voltam e os que nunca mais voltam. Isso traz-me felicidade." Via Mensagem de Lisboa.
