As plantações de castanheiros em Cova de Lua enfrentam ataques recorrentes de veados há vários anos. Os produtores registam prejuízos significativos, com alguns agricultores a relatar perdas de até 70 árvores em dois anos, apesar dos esforços de irrigação e manutenção.
Os agricultores recorrem a métodos improvisados para tentar afastar os animais, como sacos, restos de fardos e latas penduradas que fazem barulho com o vento. Alguns investem em vedações, a um custo que ronda os 2000 euros ou mais. Cada castanheiro danificado representa prejuízos estimados em cerca de 10 euros, valor que não contabiliza máquinas, mão de obra e tempo investido.
O problema é agravado pela sucessão de crises agrícolas: seca, doenças e os ataques dos veados levam alguns produtores a considerar o abandono da cultura. A gravidade é reforçada pelo facto de muitas árvores atingidas têm apenas três ou quatro anos e estão próximas de começar a produzir castanha, significando que todo o investimento inicial é perdido quando destruídas.
A autorização para o abate de veados depende do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), enquanto a gestão da zona de caça municipal cabe à Junta de Freguesia. David Garcia Fernandes, presidente da Comunidade Local dos Baldios de Cova de Lua, enviou comunicações ao Ministério do Ambiente e da Agricultura solicitando uma intervenção conjunta. Uma reunião pedida em abril não obteve resposta até ao momento.
A Junta de Freguesia de Espinhosela solicitou recentemente uma autorização para uma ação de controlo, que permitiu o abate de apenas um exemplar. A operação não se concretizou, e as autoridades estimam que existem dezenas de veados na zona. Um único abate não seria suficiente para resolver o problema.
As responsabilidades de gestão da população de veados recaem integralmente sobre o ICNF, segundo os autarcas, já que se trata de animais selvagens que circulam entre diferentes áreas. Se a situação não for resolvida, o abandono da cultura do castanheiro é uma possibilidade real.
