A Câmara Municipal de Ponta Delgada apresenta a exposição O Horizonte Insubmisso – Ressonâncias entre o Sagrado e o Tempo, integrada no programa da Capital Portuguesa da Cultura 2026. A mostra propõe uma leitura crítica sobre uma parte significativa da colecção de arte do município.
As obras reunidas abrangem um período alargado, do século XVII ao século XXI. Em vez de seguir uma ordem cronológica, a curadoria optou por cruzar épocas, linguagens e contextos diferentes, procurando mostrar continuidades, rupturas e sobreposições entre eles.
O percurso está dividido em cinco núcleos. Ordem do Visível parte de uma leitura do olhar organizada pelo sagrado. O Rosto em Crise acompanha a fragmentação da identidade clássica. Corpo da Imagem marca a passagem da representação para a presença física da matéria. No Tempo Longo confronta diferentes camadas da história, e Matéria em Combustão volta-se para o presente como espaço de tensão.
Um sino de bronze do século XVIII funciona como eixo simbólico de todo o percurso expositivo, ligando a permanência do sagrado à duração histórica e fazendo dialogar diferentes tempos ao longo da mostra.
Segundo o curador, a exposição não pretende oferecer conclusões. A ideia é que a imagem funcione como um campo de pensamento, em que o tempo não é apenas algo que passa, mas continua activo, gerando novas leituras e novas perguntas sobre as obras reunidas.
