As raças tradicionais de Trás-os-Montes enfrentam um desafio que compromete a sua sobrevivência: a ausência de novos criadores. Os produtores atuais envelhecem enquanto as gerações mais jovens mostram pouco interesse pela agricultura e pela criação de raças tradicionais. Segundo Miguel Nóvoa, presidente da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, todas as raças existentes na região—ovinos, bovinos, caprinos e asininos—estão sinalizadas como em risco de extinção, com casos particularmente críticos como a ovelha Churra Badana, que conta com muito poucos exemplares.
A situação agrava-se com a idade média elevada dos criadores. À medida que envelhecem, as novas gerações afastam-se progressivamente das atividades agrícolas e das raças autóctones. Para reverter este cenário, é necessário tornar estas atividades mais atrativas aos mais jovens, recorrendo às novas tecnologias e aos conceitos de sustentabilidade e resiliência.
Este desafio será central no 4.º Encontro Ibérico de Raças Autóctones, que Miranda do Douro acolhe a 5 de setembro. Organizado pela Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino e pela Câmara Municipal, o encontro realiza-se no mini-auditório municipal e coloca no centro do debate não apenas os animais, mas também as pessoas que garantem a continuidade destes sistemas.
As raças autóctones desempenham um papel bem para além da produção pecuária. Durante séculos foram selecionadas e adaptadas às condições dos territórios onde são criadas, mantendo as pastagens, preservando a biodiversidade e gerindo a paisagem. O pastoreio extensivo contribui ainda para reduzir a biomassa combustível, ajudando na prevenção de incêndios rurais.
O encontro deste ano dedica particular atenção ao papel dos burros na pastorícia, à coexistência entre animais domésticos e espécies selvagens, e a projectos que utilizam múltiplas espécies na gestão dos territórios. Integrado nas comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, proclamado pelas Nações Unidas para 2026, o encontro contará com projectos e intervenientes de França, permitindo conhecer outras experiências de criação e gestão da paisagem. A participação é gratuita, mas requer inscrição obrigatória.
