Mais de 50 pastores dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro juntaram-se no Naso para protestar contra os atrasos nos pagamentos de indemnizações por ataques de lobos. Os manifestantes exibiam cartazes denunciando os prejuízos causados pelos ataques e camisetas com mensagens como «Lobos protegidos, produtores falidos».
Os prejuízos são significativos. José Pinto, criador de Ifanes, relata que as compensações do Governo não cobrem as perdas causadas pelos ataques, demorando frequentemente mais de um ano. Manuel Rodrigues sofreu dois ataques na sua exploração, perdendo dois vitelos, mas passados dois anos ainda não recebeu qualquer pagamento. Alcino Antão, pastor de Genísio, teve 12 ovelhas mortas e 10 feridas num ataque há cerca de um ano, gastando mais de 500 euros em medicamentos sem qualquer indemnização.
O vice-presidente da Câmara de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, declarou que o Programa Alcateia precisa de revisão para simplificar o processo de indemnização e reduzir as exigências impostas aos criadores. Apontou também a necessidade de mais apoios para que os pastores possam instalar cercas de proteção e manter cães de guarda.
A União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo associou-se à manifestação. O porta-voz Orlando Gonçalves alertou que os ataques frequentes em toda a região norte podem levar ao desaparecimento de algumas raças, como a Churra do Minho.
Em dezembro de 2025, o Governo anunciou que dobraria o valor das indemnizações pagas em caso de ataque de lobo, com retroatividade desde o início do ano, no âmbito do Programa Alcateia.
