A colaboração internacional XENON, que junta cerca de 200 cientistas de 30 países, anunciou ter atingido um marco na procura por matéria escura, ao conseguir identificar as partículas mais ténues alguma vez medidas. Entre os investigadores envolvidos está uma equipa do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, coordenada por José Matias Lopes.
Segundo a Universidade de Coimbra, as novas medições permitiram, pela primeira vez, captar energias de neutrinos tão baixas como 17 quiloeletrões-volt, um limiar que reforça a sensibilidade do sistema de detecção usado pela experiência.
Os neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do universo e atravessam constantemente a Terra, incluindo os corpos humanos, sem que a maior parte interaja com a matéria. Uma parte significativa destas partículas tem origem nas reacções nucleares que ocorrem no Sol.
Apenas em casos extremamente raros um neutrino interage com a matéria de forma a produzir um sinal que pode ser captado por um detector. Foi esse tipo de sinal, ainda mais ténue do que os anteriormente registados, que a experiência XENON conseguiu agora identificar.
A experiência está instalada no Laboratori Nazionale del Gran Sasso, em Itália, a cerca de 1300 metros de profundidade, e foi concebida especificamente para a procura de matéria escura.
