A Acreditar — Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro — assinala este setembro com a campanha 'Setembro Dourado', dedicada à sensibilização para o cancro pediátrico. A sua reivindicação central é inequívoca: as famílias não devem ser forçadas a escolher qual dos pais acompanha a criança durante o tratamento.
A associação reclama uma revisão dos mecanismos de acompanhamento a filhos com doença oncológica, de forma a permitir que ambos os progenitores estejam presentes simultaneamente nas fases mais críticas. Progressos já foram alcançados: o subsídio de assistência a filho com doença oncológica aumentou de 65% para 100% da remuneração de referência, uma conquista conseguida após uma carta aberta no ano anterior. Contudo, persiste a questão fundamental por resolver.
Os períodos de diagnóstico, recidiva ou proximidade do fim de vida representam fases de exigência emocional, clínica e familiar extraordinária. Nestes contextos, a presença de ambos os progenitores oferece à criança maior segurança, proteção e estabilidade num momento em que a sua vida se transforma profundamente. Para a família, esta presença conjunta facilita decisões críticas e a capacidade de cuidar adequadamente.
Os Padrões Europeus de Cuidados para Crianças e Adolescentes com Cancro, que a Acreditar apresentará em setembro, reforçam que a família é parte integrante do processo de cuidados, não devendo ser considerada como apoio complementar. A resposta em oncologia pediátrica transcende o tratamento clínico e deve garantir condições reais para a presença familiar.
Em Portugal, são diagnosticados aproximadamente 400 novos casos de cancro pediátrico anualmente. Apesar da taxa de sobrevivência rondar os 80%, a doença continua a ser a principal causa de morte por patologia entre crianças e adolescentes, sublinhando a importância do apoio integral às famílias.
