A chuva da semana passada provocou uma quebra de 25 a 30% na variedade precoce de maçã em Carrazeda de Ansiães. A variedade Gala, que ainda estava a ser colhida, sofreu fendilhação e queda significativa de fruto, especialmente nas explorações de maior dimensão. O vento que acompanhou a precipitação agravou as perdas, deixando fruto no chão que não é viável para consumo em fresco.
Embora não totalmente destruído, o fruto afetado pode apenas ser vendido para indústria, em forma de compota, concentrado ou laminado, causando depreciação drástica. Uma maçã de qualidade vendida para consumo direto é comprada ao produtor entre 40 e 45 cêntimos, mas com rachas o valor cai para mais de metade, representando uma desvalorização de 60 a 70%.
Face a estas perdas, muitos produtores renunciam à colheita. Os custos de mão de obra, já elevados, tornam a operação economicamente inviável quando o preço de venda é tão reduzido. Na maioria das explorações, este fruto permanece no terreno.
No concelho existem cerca de 50 agricultores dedicados à produção de maçã. A apanha começou a 12 de agosto, cerca de 10 dias mais cedo que o usual, resultado das ondas de calor que aceleraram a maturação do fruto. Até ao final desta semana espera-se que toda a variedade precoce tenha sido colhida, com o início da apanha de variedades mais tardias, como a Golden, previsto para meados da semana seguinte.
Para as variedades tardias, a chuva foi benéfica, melhorando o calibre e qualidade do fruto. As previsões indicam uma campanha de boa qualidade geral, com produção superior ao ano anterior, estimando-se uma colheita total entre 20 mil e 25 mil toneladas.
