Uma equipa de investigadores da Universidade dos Açores publicou um estudo sobre os efeitos da poluição rodoviária na composição e na qualidade dos solos de São Miguel. O trabalho, disponibilizado em agosto na revista científica internacional Environmental Research, foi realizado por Nádia M. P. Coelho, Ricardo Camarinho, Patrícia Garcia e Armindo S. Rodrigues.
A investigação analisou solos e minhocas recolhidos junto a três estradas da ilha com intensidades de tráfego diferentes: Lagoa–Ponta Delgada (44.300 veículos diários), Lagoa–Ribeira Grande (9.092 veículos) e Coroa da Mata–Santa Iria (menos de 400 veículos). O objectivo era compreender de que forma a poluição associada ao tráfego se reflectia na composição dos solos e nos organismos que neles vivem.
Os resultados indicam bioacumulação de arsénio, cádmio, mercúrio, antimónio e zinco nas minhocas recolhidas nas zonas de tráfego mais intenso. Estas concentrações sugerem que os elementos se acumulam progressivamente nos organismos expostos. A espécie utilizada, Amynthas gracilis, revelou-se um bioindicador sensível, permitindo avaliar não apenas a presença de contaminantes mas também a sua disponibilidade biológica.
Além das análises químicas, os investigadores examinaram a estrutura dos tecidos das minhocas e identificaram alterações indicativas de stress fisiológico. Foram observadas diferenças no tegumento, na matriz peritrófica e no epitélio intestinal que sugerem respostas de defesa do organismo e perturbações na absorção de nutrientes.
Os autores sublinham que o estudo aponta para uma contribuição da poluição rodoviária na contaminação dos solos, embora não permita atribuir cada elemento encontrado exclusivamente ao tráfego, considerando que outros factores históricos e industriais podem estar envolvidos.
