A Arte dos Caldeireiros de Santa Marta de Rossas, em Vieira do Minho, foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial em regime de salvaguarda urgente, segundo comunicado publicado hoje no Diário da República. A inscrição vem reconhecer a importância desta tradição artesanal que remonta a, pelo menos, a primeira metade do século XIX.
Trata-se de uma prática de transformação manual de metais — cobre e latão — usando ferramentas tradicionais muito antigas. Os caldeireiros produzem principalmente alambiques e caldeiras, embora, nas últimas décadas, tenham começado a confecionar miniaturas e peças decorativas e utilitárias. Historicamente, os utensílios de cozinha eram a produção dominante.
Portém, a arte enfrenta riscos graves de extinção. No concelho, apenas dois artesãos exercem a profissão a tempo inteiro — Bernardino Ferreira Alves e José Moreira da Silva — ambos próximos da idade de reforma. Cerca de duas dezenas de outros detentores da técnica exercem atividades diferentes ou vivem fora do país.
A decisão do Instituto do Património Cultural justifica-se pela relevância histórica, social e cultural da arte, bem como pela necessidade urgente de medidas de salvaguarda que garantam a sua continuidade futura. A inscrição procura proteger os conhecimentos associados à prática e articular esta atividade com os objetivos de desenvolvimento sustentável do território.
