O projeto 'Respirar Fundo' foi lançado em setembro de 2025 e monitoriza a qualidade do ar em 13 escolas dos ensinos Básico e Secundário distribuídas por vários concelhos, incluindo Sesimbra. A iniciativa utiliza estações portáteis que medem continuamente partículas PM10 e PM2.5, dióxido de azoto e ozono troposférico.
Os relatórios produzidos pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa abrangem 12 das 13 escolas. Os resultados mostram que as concentrações de poluentes tendem a aumentar durante as horas de ponta da manhã e da tarde, padrão consistente com a influência do tráfego rodoviário.
Em nove das 12 escolas analisadas, a aplicação dos valores mais restritivos estabelecidos pela Diretiva Europeia para 2030 resultaria num número significativamente superior de situações acima dos níveis considerados, nomeadamente para PM2.5 e dióxido de azoto. Foram igualmente identificadas excedências pontuais face aos valores atualmente em vigor, com maior incidência no Norte do país.
Os responsáveis pelo projeto admitem que alguns episódios ocorreram durante a noite e ao fim de semana, sugerindo a influência de fontes externas como aquecimento a biomassa e queimadas. Identificaram ainda diferenças entre os valores junto às escolas e os registados pelas estações oficiais da rede nacional.
Desde o início, o projeto envolveu cerca de 1.500 alunos e mais de 250 professores em atividades sobre qualidade do ar e educação ambiental. A iniciativa terá continuidade a partir de outubro de 2026 com o projeto 'Respirar+Fundo', que se estenderá a outras regiões e criará clubes meteorológicos escolares.
