Uma equipa internacional de arqueólogos está novamente no Concheiro do Cabeço da Amoreira, em Muge, para tentar perceber de que forma as últimas comunidades de caçadores-recolectores se relacionaram com os primeiros agricultores que chegaram ao vale de Muge. A campanha de 2026 é coordenada pela arqueóloga Célia Gonçalves, investigadora do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano, da Universidade do Algarve.
Os dados recolhidos até agora apontam para a existência de contactos entre as duas comunidades e para a assimilação de práticas e comportamentos. Um dos sinais mais relevantes está nos enterramentos: além das sepulturas mesolíticas, foram identificados enterramentos do período Neolítico, o que poderá indicar que o local manteve importância funerária e simbólica ao longo do tempo.
Com cerca de oito mil anos, os concheiros de Muge estão classificados como Monumento Nacional e são considerados uma referência internacional para o estudo da Pré-História europeia. Desde 2008, as investigações permitiram já identificar sinais de crescente complexidade social entre as comunidades que ocuparam o vale, nomeadamente na organização dos espaços, na exploração dos recursos naturais e nas práticas funerárias.
Na campanha atual, os arqueólogos estão a concluir a escavação de uma área e a estudar o contexto de um esqueleto identificado há dois anos. Todos os artefactos e estruturas são registados tridimensionalmente, o que permite reconstruir virtualmente as camadas do sítio depois da escavação. Desde o início dos trabalhos foram recolhidas mais de 300 mil peças: parte do espólio pode ser vista no Centro de Interpretação dos Concheiros de Muge e os restantes materiais são estudados no MUGE.lab, instalado na Casa do Povo de Muge, ao abrigo de um protocolo com a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.
Com base em informação publicada por O Mirante, via O Mirante.
