A contaminação de solos e aquíferos por hidrocarbonetos na Terceira, causada pela presença de bases militares dos Estados Unidos, está a ser questionada por especialistas que duvidam da sua possível resolução. Norberto Messias, professor reformado da Universidade dos Açores, afirma que «a descontaminação que está a ser feita é apenas no papel».
O investigador refere que a dimensão da poluição é elevada, especialmente ao longo dos sistemas de abastecimento de combustíveis que, durante muitos anos, apresentavam avarias significativas. Relatos de antigos funcionários da base indicam que para encher os tanques de combustível era necessário transferir três vezes o volume armazenado, porque perdas consideráveis ocorriam pelo caminho.
A poluição não se limita à área da base. Vários terrenos noutros pontos da ilha foram utilizados como depósito de resíduos de combustíveis, lamas químicas e metais pesados. Um desses locais de deposição fica acima do furo de abastecimento de água pública da Canada da Bica, na Fonte do Bastardo, o que levanta preocupações sobre a qualidade da água fornecida à população.
Armando Mendes, jornalista que há vários anos acompanha esta questão, considera a situação «de tal forma grave» que a descontaminação será extremamente difícil de conseguir. Observa que a contaminação abrange um espetro muito amplo de poluentes e está profundamente impregnada não apenas nos solos mas também nos aquíferos em várias zonas da ilha.
O Parlamento Regional constituiu uma comissão técnica independente para avaliar os verdadeiros impactos ambientais e de saúde pública da presença de hidrocarbonetos nos solos e aquíferos da Terceira. Norberto Messias propõe que integrem a comissão apenas investigadores sem vínculos de formação ou financiamento norte-americano.
A contaminação foi identificada pelos próprios norte-americanos em 2005 e confirmada em 2009 pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que monitoriza o processo de descontaminação desde 2012.
