A família de Abel Lacerda descobriu duas pilastras de madeira decoradas por Columbano Bordalo Pinheiro na sua casa no Caramulo. As peças, com cerca de três metros de altura, permaneciam guardadas há mais de 70 anos.
O achado veio à luz quando Miguel Lacerda, filho de Abel, decidiu mostrar aos familiares estas colunas. Após remover a cobertura que as protegia, emergiram pinturas que a sobrinha-neta Madalena Gouveia Reis reconheceu como sendo do pintor Columbano Bordalo Pinheiro.
A autoria foi confirmada por especialistas. Pedro Lapa, historiador e ex-diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, identifica as peças como obras decorativas do final do século XIX ou início do século XX. As cenas de dança e galanteio retratadas sugerem que possam ter decorado um salão de baile ou espaço público.
Abel Lacerda foi um colecionador que reuniu obras para o Museu do Caramulo enquanto este era construído, utilizando para o efeito a sua residência. Faleceu em 1957, dois anos antes da inauguração do museu. As pilastras provavelmente ficaram para trás durante este processo de transferência de coleções.
A família agora planeia restaurar as peças, tanto na pintura como na estrutura de madeira, com vista à sua exibição no Museu do Caramulo. O objetivo é completar este trabalho até 2029, ano do centenário da morte de Columbano Bordalo Pinheiro.
