A Câmara Municipal apresentou uma posição crítica sobre o Programa Setorial de Zonas de Aceleração de Energias Renováveis, votando unanimemente um parecer desfavorável durante a consulta pública.
A autarquia preocupa-se principalmente com a concentração territorial do plano. Segundo a proposta, a metade do território de Mortágua seria afetada por zonas destinadas a infraestruturas de energia renovável. Para a câmara, trata-se de uma distribuição desproporcional que desconsidera os interesses locais, especialmente ambientais e económicos.
O concelho já alberga várias infraestruturas energéticas significativas — entre elas a Barragem da Aguieira, o Parque Fotovoltaico do Cabeço Santo, o Parque Eólico do Alto do Monção e a Central Termoelétrica de Mortágua. A câmara reconhece o valor estratégico das renováveis, mas argumenta que Mortágua já cumpre amplamente o seu papel na transição energética nacional.
A floresta é o principal ativo de Mortágua, gerando emprego, sustentando a economia local e protegendo biodiversidade e recursos hídricos. A câmara considera que nenhuma região deve ser sobrecarregada com infraestruturas quando outras zonas têm condições igualmente favoráveis.
Além disso, a proposta colide com o planeamento territorial já aprovado localmente e reduz a participação municipal à fase de licenciamento, quando as decisões fundamentais já foram tomadas a nível central. A câmara defende que qualquer política energética nacional deve ser construída em cooperação real com as autarquias e as comunidades intermunicipais.
