O Edifício do Cosmos acolheu, a 12 de setembro, uma sessão dedicada à geologia costeira e ao seu acervo paleontológico. A iniciativa, integrada na programação da Bandeira Azul, foi promovida pelo Município da Marinha Grande em parceria com a Universidade de Coimbra e focou-se na relevância científica de São Pedro de Moel para investigadores nacionais e internacionais.
A palestra, conduzida pelo Professor Luís Vítor Duarte do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, descreveu as rochas da costa como um depósito singular de fósseis marinhos e vegetais. São identificadas mais de mil espécies fósseis nesta zona, incluindo estruturas formadas por microrganismos antigos e amonites entre os registos mais antigos conhecidos do Mesozoico português.
Os achados paleontológicos estendem-se a répteis marinhos de eras remotas. A região preserva o registo mais antigo de um plesiossauro encontrado na Península Ibérica e importantes vestígios de ictiossauros, tornando São Pedro de Moel uma referência nacional para o estudo destas criaturas extinguidas.
A qualidade contínua dos registos fósseis transforma esta faixa costeira num laboratório natural para a compreensão de ambientes marinhos extintos há milhões de anos. A sessão abriu caminho a reflexões sobre a criação de um centro de interpretação que permita divulgar este património à população local e aos visitantes.
