Um estudo internacional liderado pela RISE-Health e pela Universidade da Beira Interior, na Covilhã, concluiu que a administração por via nasal de uma única dose baixa de Nestorona — uma substância criada em laboratório que imita uma das hormonas protetoras do organismo — reduz de forma significativa a extensão dos danos no tecido cerebral provocados por um acidente vascular cerebral isquémico e melhora a recuperação da capacidade motora.
Segundo Sara Meirinho, investigadora da RISE-Health e líder do trabalho, quando administrada por via oral a substância perde grande parte do seu potencial, com menos de 10 por cento a chegar à circulação sanguínea devido à degradação no fígado. A via nasal surge assim como alternativa para contornar esse obstáculo.
Os investigadores verificaram que, cinco minutos após a administração nasal, a substância atingiu o pico de concentração no cérebro, com uma exposição cerebral cerca de duas vezes superior à obtida por vias convencionais, como a injeção subcutânea. A equipa antecipa que a abordagem possa vir a ser aplicada a outras doenças do sistema nervoso central, como a esclerose múltipla.
Os resultados resultam exclusivamente de estudos em modelos animais, sendo agora necessário avançar para ensaios clínicos que confirmem a segurança e a eficácia em humanos. Além de Sara Meirinho, o estudo conta com Adriana Santos, Susana Alves, Catarina Diniz, Gilberto Alves e Graça Baltazar, da RISE-Health e da UBI, e com a participação de especialistas de Espanha e dos Estados Unidos. via Notícias da Covilhã.
